Se você achava que a Copa do Mundo que está rolando agora nos gramados da América do Norte serve apenas para ver vinte e dois milionários correndo atrás de uma bola, os engravatados do Fórum Econômico Mundial (WEF) vieram provar que o buraco é bem mais embaixo. O esporte deixou de ser entretenimento de fim de semana para se consolidar como uma das indústrias mais agressivas e lucrativas da economia global.

Um relatório inédito da entidade revelou que o mercado esportivo movimentou a assustadora bagatela de US$ 2,3 trilhões no ano passado. E o ritmo de crescimento está tão acelerado que, até 2050, esse bolo deve atingir a marca inacreditável de US$ 8,8 trilhões por ano. É tanto dinheiro que daria para comprar todas as franquias da NBA, os clubes da Champions League e ainda sobraria troco para pagar o salário do Neymar por algumas encarnações.

O torcedor ostentação e o "boom" dos mercados emergentes

A grande mina de ouro desse ecossistema não está mais apenas na bilheteria dos estádios ou na venda dos direitos de transmissão de TV. O motor do crescimento atende pelo nome de turismo esportivo, um segmento que já abocanha US$ 672 bilhões anuais e deve dobrar de tamanho até 2030.

A dinâmica do mercado mudou radicalmente em três frentes principais:

Por que isso importa

Porque o esporte virou uma das ferramentas mais poderosas de diplomacia econômica e desenvolvimento urbano. Quando um país decide sediar uma Copa ou uma Olimpíada, ele não está apenas pensando no espetáculo; o objetivo real é injetar bilhões de dólares na infraestrutura de transportes, lotar a rede hoteleira, girar o comércio local e reposicionar sua marca no cenário internacional.

Do tênis de corrida que você compra no aplicativo até a viagem para ver o seu time jogar fora de casa, o "estilo de vida ativo" se transformou em uma máquina de moer dinheiro que ignora crises macroeconômicas. Se as principais potências financeiras estão de olho nesse mercado, ignorar o impacto do esporte no PIB é um erro estratégico fatal para qualquer investidor.

É muito bonito ver os relatórios do Fórum Econômico Mundial celebrando esses trilhões de dólares, mas a realidade na ponta da linha costuma ser um pouco menos glamourosa. Construir estádios suntuosos e vender camisetas oficiais a preços proibitivos é fácil. O verdadeiro desafio de países em desenvolvimento, como o Brasil, é fazer com que essa montanha de dinheiro não evapore assim que o juiz apita o fim do torneio.

Se a infraestrutura criada para os jogos virar "elefante branco" e o turismo não se sustentar no longo prazo, o megaevento deixa de ser um motor econômico para virar um belo boleto que o contribuinte vai ter que pagar parcelado pelas próximas décadas.

O esporte movimenta trilhões e o hype é inegável, mas no campeonato da gestão pública, o Brasil ainda joga na retranca e torce por um contra-ataque milagroso